Segundo dia dos desfiles das escolas da série A do Carnaval 2020

Por: Aline Alves

Confira como foi o segundo dia dos desfiles das escolas de samba da série A do Carnaval do Rio de Janeiro.

Acadêmicos do sossego
Com o enredo “os tambores de olokun” a acadêmicos do sossego levou para avenida a história dos personagens do cortejo negro que nasceu em Pernambuco. Homenageou o grupo percussivo chamado, Tambores de Olokun, que é um grupo carioca. A escola Falou sobre o profano e sobre o sagrado, dança e religião. O enredo foi inicialmente desenvolvido por Marco Antônio Falleiro mas devido a mudanças, a dupla Guilherme Diniz e Rodrigo marques assumiram o comando, e em 13 dias tiveram a missão de concluir o carnaval da escola. A agremiação teve problemas com o andamento do desfile, o carro abre-alas “O Sombrio Senhor” teve que entrar na avenida, empurrado por componentes devido a falta de bateria. A ala das baianas não estava completa, a direção buscou mulheres da escola para completar o grupo na hora do desfile, as fantasias da ala chegaram praticamente na hora da entrada do desfile.

Inocentes de Belford Roxo
Com o enredo “Marta do Brasil — Chorar no começo para sorrir no fim”, a inocentes de Belford Roxo homenageia a atleta, que foi eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo. O desfile iniciou contando a história de marta no Nordeste, a atleta é natural de dois riachos(AL), integrantes da bateria usaram cores de fantasia em homenagem à Marta. A comissão de frente representou todas as conquistas da homenageada junto com a seleção brasileira, um time formado por mulheres fantasiadas com o uniforme da seleção brasileira se apresentou na avenida, a comissão de frente representou a atuação da jogadora em campo. A mãe da atleta, Teresa Vieira também participou do desfile, ela veio em um dos carros como destaque.

Unidos de Bangu
Com o enredo “Memórias de um Griô: a diáspora africana numa idade nada moderna e muito menos contemporânea” a Unidos de Bangu mostrou na avenida o sequestro dos povos da África e a sua escravização no Brasil. A comissão de frente foi assinada pelo coreógrafo Vinicius Rodrigues, e mostrou o processo de colonização europeia no continente Africano. O colonizador europeu, escravizou o negro que com ajuda dos orixás se reergueu e conseguiu sobreviver diante dos maus tratos e cárcere. A escola perderá pontuação, pois durante a apresentação em frente à cabine dos jurados, um integrante deixou cair o chapéu e o outro a cabeça da fantasia, o que acarreta perda de pontos. O mestre-sala Anderson Abreu e a porta-bandeira Xavier, estavam vestidos com uma roupa feita de palha, representando a beleza da savana, no meio do desfile a parte de cima da roupa da Porta-bandeira se soltou. A escola teve que apressar o passo para não ultrapassar o horário. Iniciando este ano na avenida Bruno Rocha, o carnavalesco da escola foi criativo na criação das fantasias, utilizando materiais de baixo custo. A iniciante rainha da bateria Darling Ferrattry, mãe da cantora Lexa, foi bem recebida pelo público, muito simpática ela acenou ao passar na avenida.

Acadêmicos de Santa Cruz

A acadêmicos de Santa Cruz foi a quarta a desfilar e entrou na avenida com a chuva. Com o enredo “Santa Cruz de Barbalha, Um Conto Popular no Cariri Cearense”, desenvolvido pelo carnavalesco Cahê Rodrigues, teve um ótimo desempenho na avenida e as suas fantasias estavam de acordo com o que foi proposto e apresentado. A comissão de frente trouxe a “A Dança do Canavial”, com um grupo de 15 integrantes fantasiados de trabalhadores do canavial, o grupo levava nas mãos um adereço em formato de bastão que era representação de um pedaço de cana-de-açúcar, durante a atuação dos componentes vestidos de trabalhadores rurais, padre Cícero fez sua aparição, a comissão foi assinada por Marcelo Chocolate e Marcelo Moragas. A escola se desenvolveu bem na avenida e os componentes cantaram o samba com desenvoltura. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Roberta Freitas e mosquito desfilaram antes da bateria, o casal veio fantasiado de “apoteose nordestina”. O público pôde saborear pedaços de rapadura, que foram jogados dos carros alegóricos.

Imperatriz Leopoldinense

A Imperatriz Leopoldinense fez um belíssimo desfile na noite de sábado, e com muita criatividade e simplicidade demonstrou todo o seu potencial, renovando os votos com a avenida. A escola reeditou o tema, “O teu cabelo não nega (Só dá Lalá)”, para o carnaval de 2020. Mestre-sala e porta-bandeira Tiago Mendonça e Rafaela Theodoro estavam em sintonia, o casal realizou a sua passagem na avenida com maestria. O público vibrou ao ver a escola passar, com ares renovados a Imperatriz fez um desfile de campeã. Os componentes se mostraram comprometidos com a escola, tanto na avenida, quanto na frequência na quadra.
Comissão de frente dirigida por Hélio e Beth Bejani, composta por um grupo de bate-bolas que encantou a todos com a sua apresentação. A comissão trouxe de volta os tempos antigos dos carnavais, ao entrar dentro da fantasia os componentes se mostravam como bate-bola e ao sair de dentro dela um novo espetáculo acontecia, que era a dança em estilo Broadway coreografada representando o empoderamento da mulher negra. Durante o desfile a
equipe pulverizou aromas que remetiam aos bate-bola, o coreógrafo Héli explicou que os bate-bolas profissionais quando se fantasiam, utilizam este tipo de essência. Os carros da escola estavam bem iluminados e com um belo colorido, as fantasias estavam com bom acabamento e também com tons claros e coloridos. A bateria swing da Leopoldina deu um show, com a bela estreante rainha da bateria, cantora Isa que vestia uma fantasia de musa divinal.

Unidos de padre Miguel

Penúltima escola a desfilar, a Unidos de Padre Miguel teve dificuldades em colocar se carro abre-alas na Sapucaí, o carro “Brasil-África” teve a sua lateral danificada ao fazer a curva na avenida. A bateria da escola levou um ritmo acelerado para avenida, que agradou ao público. Com o enredo “ginga”, a Unidos de Padre Miguel fala da capoeira, na época da escravidão era uma forma de luta e resistência.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola representou uma festa de casamento dos jovens angolanos da tribo de mocupe do sul de Angola. A comissão de frente veio vestida de zebra, com a coreografia inspirada na capoeira, a atriz Danara Mariana desfilou na comissão de frente representando a rainha Ginga. Karina Costa rainha de bateria da escola, desfilou com algumas pinturas corporais no seu corpo.

Império da Tijuca

Encerrando os desfiles da série A, a Império da Tijuca fez um bom desfile, mas com alguns erros. A verde e branco da Tijuca levantou a bandeira da educação este ano na avenida, com o enredo “Quimeras de um eterno aprendiz”, do carnavalesco Guilherme Estevão. A escola contou a história de Evandro Santos, o “homem livro”, falando sobre educação através da vida do sergipano Evandro que até os 18 anos era analfabeto, e após essa idade começou a aprender a ler a partir da bíblia.
Evandro começou a catar livros nas ruas e formou uma coleção de 55 mil livros. Após uma reviravolta, Evandro passou a abrir bibliotecas pelo país uma bela história de superação. Este ano a Império da Tijuca completa 80 anos de fundação. A agremiação teve problemas com suas alegorias, o carro abre-alas passou com algumas luzes apagadas. Renan Oliveira e Laís Ramos, casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação se desenvolveu bem no desfile, realizando uma boa apresentação. Na parte da evolução, no final do desfile, a escola teve que apressar o passo para não finalizar com atraso. A bateria de mestre Jordan se desenvolveu bem na avenida, mas não parou nos módulos dos julgadores para se apresentar.

Fotos: Portal Samba Carioca

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