Segundo dia dos desfiles das escolas de samba do grupo especial


A Mocidade de Padre Miguel surpreendeu o público no Carnaval de 2024 com seu enredo inovador “Pede caju que dou… pé de caju que dá!”. O desfile da escola carioca trouxe à avenida uma celebração ao pseudofruto brasileiro, destacando sua versatilidade e importância cultural. Com uma abordagem criativa e envolvente, a Mocidade buscou resgatar tradições e promover reflexões sobre a riqueza da biodiversidade nacional. A escola recebeu elogios pela originalidade e pela maneira como explorou elementos típicos da flora brasileira em sua apresentação.

A Portela emocionou o público do Carnaval de 2024 ao trazer para a avenida uma narrativa que celebrava o afeto e a ancestralidade feminina, inspirada no romance “Um defeito de cor”. Este romance magistral, escrito por Ana Maria Gonçalves, mergulha na história de Kehinde, mais conhecida como Luiza Mahin, uma figura fundamental na luta contra a escravidão no Brasil. Através da vida desta mulher poderosa e muitas vezes esquecida pela história oficial, a Portela trouxe à tona não apenas a resistência contra a opressão, mas também a importância do amor, do cuidado e da conexão com as raízes ancestrais.

A história de Kehinde é marcada por sua luta incansável pela liberdade e pelos direitos humanos, bem como pelo amor incondicional por seu filho, Luiz Gama, que se tornou um dos principais líderes abolicionistas do Brasil. Através da recriação dessa trajetória como enredo de Carnaval, a Portela homenageou não apenas a figura histórica de Luiza Mahin, mas todas as mulheres negras cujas contribuições muitas vezes foram negligenciadas ou apagadas.

Ana Maria Gonçalves, autora de “Um defeito de cor”, trouxe luz a essa história incrível através de uma narrativa envolvente e profundamente emocionante, que ressoou com milhares de leitores em todo o país. A escolha da Portela de adaptar essa história para o Carnaval demonstra não apenas o compromisso da escola com a valorização da cultura e da história afro-brasileira, mas também sua capacidade de contar histórias poderosas que tocam os corações e as mentes do público.

A Vila Isabel, que conquistou o terceiro lugar em 2023, decidiu revisitar um enredo marcante de sua história ao reeditar “Gbalá – Viagem ao templo da criação” no Carnaval de 2024. Mais de trinta anos após sua estreia, a escola carioca apresentou uma releitura envolvente da obra, trazendo uma mensagem poderosa sobre os danos que o ser humano causa ao meio ambiente.

O enredo destacou a importância de preservar e respeitar a natureza, alertando para as consequências devastadoras das ações humanas sobre o planeta. A Vila Isabel enfatizou que a esperança para um futuro sustentável reside nas crianças, transmitindo uma mensagem de conscientização e responsabilidade ambiental.

Essa abordagem sensível e atual recebeu elogios pela forma como abordou questões urgentes, como as mudanças climáticas e a preservação dos ecossistemas. Ao revisitar um enredo clássico com uma nova perspectiva, a Vila Isabel reiterou seu compromisso com a arte, a cultura e a reflexão sobre os desafios enfrentados pela humanidade no século XXI.

A Mangueira apostou em uma homenagem emocionante a Alcione, que celebra 50 anos de carreira, com o enredo “A negra voz do amanhã”, buscando conquistar seu 21º título na elite carioca do Carnaval. A própria cantora participou do esquenta da escola, ao lado dos puxadores, cantando parte do samba-enredo.

O desfile da Mangueira foi marcado por uma comissão de frente que retratou momentos importantes da trajetória da artista, seguida por passistas habilidosos que desafiaram a gravidade com suas performances. A escola também trouxe diversas estrelas à Sapucaí, tornando o desfile ainda mais especial.

Uma das primeiras personalidades a aparecer na alegoria “pede passagem” foi Maria Bethânia, acrescentando ainda mais brilho e emoção ao espetáculo. A homenagem a Alcione não apenas celebrou sua influência e contribuição para a música brasileira, mas também ressaltou a importância da representatividade negra e do empoderamento feminino na cultura nacional.

A Paraíso do Tuiuti, oitava colocada no Carnaval de 2023, escolheu como enredo a história do “almirante negro” João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata. O desfile da escola de samba carioca trouxe à avenida uma poderosa narrativa sobre a luta contra a injustiça e a opressão.

Um dos momentos mais marcantes do desfile foi a representação de João Cândido em um dos carros alegóricos. Surpreendentemente, o homenageado foi simbolizado por Max Angelo dos Santos, um entregador carioca que, em abril de 2023, foi agredido por uma moradora de São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Essa escolha da Paraíso do Tuiuti destacou a conexão entre o passado e o presente, mostrando como as lutas por justiça e igualdade ainda são relevantes nos dias de hoje. A presença de Max Angelo dos Santos no desfile enfatizou a continuidade da resistência e da busca por direitos humanos fundamentais, dando voz às histórias de pessoas comuns que enfrentam a injustiça em suas vidas cotidianas.

A Paraíso do Tuiuti demonstrou, mais uma vez, sua capacidade de utilizar o Carnaval como uma plataforma para a conscientização social e o engajamento político, reforçando seu papel como uma das vozes mais relevantes do samba carioca.

Foto: Donyperfect

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