Com enredo sobre ‘empretecer’, Beija-Flor festeja intelectuais e influenciadores negros na quadra e barracão

Símbolo da cultura e resistência do povo preto da Baixada Fluminense, a Beija-Flor de Nilópolis fez festa nesta quinta-feira, em sua quadra e seu barracão, para receber um grupo de intelectuais e influenciadores digitais negros chamados para o desfile de 2022. O enredo deste ano é “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”, uma exaltação à inteligência negra brasileira — detalhes do tema foram conhecidos pelo grupo de convidados, que inclui nomes como a cantora Teresa Cristina e o ator e escritor Rodrigo França, entre outros. 

No fim da tarde, a azul e branca abriu sua Fábrica de Sonhos na Cidade do Samba, Zona Portuária do Rio de Janeiro, para que os convidados pudessem conhecer detalhes do desfile desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada a partir de ideias pensadas coletivamente pela comunidade nilopolitana. Louzada conta com o apoio do grupo de artistas negros André Rodrigues, Fabynho Santos e Rodrigo Pacheco no processo de criação. 

Do barracão, os intelectuais e influenciadores foram guiados à quadra, em Nilópolis, onde assistiram ao espetáculo embalado pela bateria “Soberana”, dos mestres Plínio e Rodney e da rainha Raissa de Oliveira; pela voz sem igual de Neguinho da Beija-Flor; pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso e também pelos demais segmentos da agremiação. 

*‘Mais que urgente’, diz França*

Além de Teresa Cristina e de Rodrigo França, a “comitiva” incluiu a escritora Katiuscia Ribeiro; a acadêmica Winnie Bueno; a escritora e roteirista Eliana Alves Cruz; o advogado Joel Luiz Costa, junto da equipe do Instituto de Defesa da Pessoa Negra e a economista Giselle Florentino, com o time da Iniciativa Direito a Memória e Justiça Racial. Todos receberam camisas do enredo da Beija-Flor para este ano e foram convidados a se apresentar com a escola: ela é a sexta e última a desfilar no dia 22 de abril, sexta-feira, na Sapucaí. 

— Fico lisonjeado. Como professor de Filosofia, o enredo da Beija-Flor me parece um mecanismo de democratizar o saber: a escola de samba volta à sua vocação de traduzir o que o povo e a comunidade pensam sobre si e a sociedade em geral. Empretecer é mais do que urgente num país em que 56% da população se declara como negro e negra e também diante do apagamento que a nossa população sofre. É uma honra estar junto com a escola — disse França.

Katiuscia Ribeiro fez coro a França, elogiando os detalhes apresentados no barracão e na quadra: 

— É fundamental empretecer o pensamento e trazer uma outra narrativa que reconheça a verdadeira história dos povos negros. As escolas de samba são espaços de construção de pensamento e saber, e isso irá atravessar a Avenida com uma história potente. Parabéns à Beija-Flor por trazer a verdade: porque verdade é poder. E reconhecer a nossa trajetória enquanto negros permitirá um futuro grandioso para todos nós — finalizou Katiuscia.

Créditos da foto: Eduardo Hollanda

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