‘Panteão’ de bambas homenageia sambistas que se despediram da Beija-Flor

Dedicada quando o assunto é preservar a memória de sua comunidade, a Beija-Flor inaugurou nesta quinta-feira, na sua quadra em Nilópolis, um “panteão” de bambas para homenagear quatro sambistas que se despediram da escola recentemente, deixando saudades entre a comunidade. Com os rostos grafitados nas laterais do palco da sede azul e branca, estão o intérprete Bakaninha, jovem talento que fazia parte do carro de som da agremiação; o artista Léo Mídia, que integrava a comissão de Carnaval; o compositor J. Velloso, que liderava a ala de poetas da casa e  a passista Kianne Collins. Todos partiram entre 2020 e 21.

A iniciativa do tributo partiu do presidente da Beija-Flor, Almir Reis. O toque artístico ficou a cargo do grafiteiro Renato Guerreiro, de 28 anos, que também atua como tatuador. Ele cumpriu brilhantemente a missão de ilustrar fielmente os traços de cada uma das figuras icônicas homenageadas, sempre nas cores da escola, cujo brasão acompanha os desenhos. O resultado foi revelado durante o ensaio para o Carnaval de 2022, previsto para abril.

— Entendemos que Bakaninha, Léo Mídia, Velloso e Kianne precisavam ser eternizados nesse espaço por terem sido figuras que cresceram com a Beija-Flor, emergiram da comunidade de Nilópolis e se projetaram a partir das nossas fileiras em direção ao mundo do samba. Eles precisam ser lembrados como forma de agradecimento pelo amor que dedicaram à escola — explica Reis.

Perda mais recente da Beija-Flor, o intérprete Gilson Conceição Júnior, apelidado de Bakaninha, morreu em janeiro num acidente de carro. Desde então, tem sido lembrado por diversos músicos que se apresentam em eventos na quadra: de Neguinho da Beija-Flor, de quem já era considerado sucessor, mesmo aos 31 anos, até  o grupo Pique Novo, que subiu ao palco na semana passada com camisas em referência ao cantor. Ontem, Bakaninha teve o nome grafado na sala de troféus da “Deusa da Passarela”, outra maneira de homenageá-lo.

O adeus a Hugo Leonardo, o Léo Mídia, aconteceu em dezembro, a poucos dias do Natal, num crime bárbaro que revoltou a Beija-Flor, já confessado pelo autor, que está preso. O artista fez parte da comissão responsável pela criação de alegorias e fantasias da instituição, bem como de diversos outros departamentos dela. Kianne, de 23 anos, integrava a ala de passistas e foi vítima de um atropelamento em novembro. Velloso partiu em novembro de 2020, aos 65 anos: lutou contra um câncer.

A homenagem ao grupo será mantida na quadra da Beija-Flo por tempo indeterminado e poderá ser vista e fotografada por todos os visitantes do espaço.

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