Grande Rio define enredo

—O motivo do nosso enredo é educação. Só que a gente resolveu falar dela por um outro ângulo: através do viés crítico e irreverente da FALTA de educação. Passeando por coisas que fazemos  e que acabam por comprometer o nosso dia a dia, a nossa convivência e, sobretudo, o nosso futuro.—
 SINOPSE:
“Quem nunca…?” Que atire a primeira pedra!
Fala sério aqui com a gente, “de boas”, “numa boa”, francamente: quem nunca saiu dos trilhos, rodou a baiana, chutou o balde e o pau da barraca, armou aquele barraco ou deu  uma virada de mesa? Quem não cometeu um deslize, uma gafezinha qualquer, ou uma falta de educação das grossas mesmo? Quem nunca? Eu, você, todo mundo, pelo menos uma vez, já esqueceu etiqueta, manuais e regulamentos, e atravessou o samba na passarela dessa vida.
Que atire a primeira pedra quem nunca… Ou melhor, atirar pedra, não. Porque aí já seria falta de educação, outra vez.
Tão humano quanto o ato bíblico de atirar a primeira pedra são os nossos maus hábitos que expressam impaciência, egoísmo, descuido, intolerância, o tal “jeitinho” ou… a falta de informação.
O motivo do nosso enredo é educação. Só que a gente resolveu falar dela por um outro ângulo: através do viés crítico e irreverente da FALTA de educação. Passeando por coisas que fazemos  e que acabam por comprometer o nosso dia a dia, a nossa convivência e, sobretudo, o nosso futuro.
Quem nunca lançou a latinha de refrigerante pela janela do carro, avançou um sinal vermelho, dirigiu com aquela dose de cervejinha nas ideias ou acima da velocidade permitida?
Do preguiçoso que entra na via sem ligar a seta ao apressadinho que pensa que buzina é almofada, e à madame ou executivo de “carrāo” que dá “conferência” pelo celular e não “tá nem aí” que o sinal abriu, é pra lá de deseducada a vida no trânsito, camarada! Haja direção defensiva!
Nas vias das redes sociais, meio capaz de unir as pessoas dos quatro cantos do mundo, quem nunca largou o pé do freio e destilou (ou sofreu) uma indireta, um “piti”? Quem nunca testemunhou xingamentos e toda sorte de discriminação (racismo, homofobia, bullying e outros) através de postagens de quem quer impor a própria opinião e se vale do mundo movediço dos perfis virtuais?
E na corrida por likes, há aqueles que reproduzem qualquer coisa que desperte atenção, nem se dando ao trabalho de ler e checar antes a informação.
No país do Carnaval, de mais de 200 milhões de “carnavalescos”, quem nunca saiu detonando um enredo nas redes de “amigos”, sem sequer ler a sinopse ou aguardar o desenvolvimento do tema na Avenida?
Ainda sobre o uso das novas tecnologias, quem nunca falou alto ao celular dentro do ônibus, do trem ou da van lotada? Cá entre nós, ninguém merece saber que o passageiro ao lado saiu com a mulher do vizinho na noite passada, ou ser obrigado a acompanhar a música nas alturas ou o vídeo do “sem noção” que não usa fone de ouvido, não é mesmo?
E haja capacidade de armazenamento do celular pra suportar tantas “fofurices” e correntinhas diárias que nos enchendo de mensagens, com votos de bom dia, boa noite, boa semana, boa sexta, feliz sábado… Ufa! Esses  “brinquedinhos” modernos deveriam ser acompanhados de um manualzinho de ética, fala sério!
E quem nunca se livrou daquela “inofensiva” sacola de lixo no rio perto de casa? Aquela sacolinha plástica que você descarta e que fica por aqui levando anos e anos pra se decompor. De sacolinha em sacolinha, os rios “enchem o saco”! E aí é sacolinha, sacolão, tampa de privada, sofá… enchentes, desabrigados, mortos. Uma avalanche de tristeza!
Mas nem tudo é desgraça, já que nossas faltas também curtem uma farra. Nas festividades e encontros populares (nos estádios de futebol, no Réveillon, no Carnaval…), “ninguém é de ninguém”. E, na praça, praia ou rua o que é público também parece não ser. A consciência toma sumiço e juízo de multidão não tem dono: malandro sarra na moça em condução lotada, chafarizes de mijões regam a cidade, falso torcedor sai de casa pra brigar, monumentos são destruídos, fachadas sofrem pichações que distorcem a beleza da cidade e comprometem a arte do povo grafiteiro.
A conta vem depois, quando a gente descobre que o que é público é nosso e é a gente quem paga. Na pátria do Carnaval e das chuteiras, o futebol nos rende imagens pertinentes: bola murcha, gol contra, impedimento… Ah, e um cartão vermelho para as faltas daqueles que se escondem na multidão.
Como se vê, no trânsito, nas redes virtuais, no meio ambiente, nos encontros das massas etc e tal, estamos meio mal.
#SóQueNão.
Nossa conduta não é de todo ruim. Afinal, somos seres inteligentes, sempre capazes de aprender. A última parte do nosso enredo é uma ode às maravilhas que o só o Conhecimento é capaz de edificar, aos monumentos que são o respeito ao outro e aos códigos coletivos, à convivência harmoniosa de contrários, à ética, à preservação ambiental e à construção de novas realidades por meio do estudo, da leitura, da pesquisa e da inovação.
Albert Einstein, o grande físico, afirmou que “a mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”. É assim que o tema Educação inspira a ESCOLA de Samba Acadêmicos do Grande Rio (com seu saber cultural, afetivo, informal, ancestral), deixando um rastro positivo para a comunidade de Duque de Caxias e aos Pimpolhos da Grande Rio, futuro da arte do samba e da humanidade.
Quem nunca fez uma faxina profunda, animada por aquela batucada estridente que “enlouquece” a vizinhança? O final do nosso desfile promete uma limpeza geral, enxaguando nossos maus hábitos, removendo metaforicamente as crostas
que nos impedem de caminhar em direção a uma necessária evolução.
Não a lavagem cerebral que fomenta a ignorância, o individualismo, o desmazelo com o meio ambiente, haters e seu fundamentalismo ou as polarizações guiadas pela falta de gentileza, de empatia e pelo excesso de ódio. Mas uma limpeza/lavagem que purifica e expande a consciência, transmite o Saber, lava a Alma e eleva o Espírito.
Antes que essa prosa termine, vale ressaltar: “educação” vem do latim “educare”, que deriva de EX (que significa “fora”), junto a DUCERE (“guiar, instruir, conduzir”). Portanto, educar-se é conduzir-se para fora, sair do isolamento de si e dos próprios (maus) hábitos, ou, se quisermos, é superar os limites de nossa caverna escura, alegoria platônica).
Ainda temos jeito! Aquele famoso “jeitinho” que o brasileiro adora e que também pode ser para o bem. Podemos tentar deixar o indivíduo, o coletivo, as relações e o Planeta de forma como originalmente os recebemos: maravilhosos, abundantes, generosos e cuidadosamente pensados para nos “darmos bem” por aqui, sobre a Bola!
Refinar a mente, os hábitos e a vida, para que sigamos em frente, com harmonia na linguagem, na comunicação, no dia a dia. São passos indispensáveis para um final de enredo feliz, alegre e pleno, aqui e no futuro, que pertencerá  aos Bem-Educados.
Proposição e argumento: Renato Lage e Márcia Lage
Texto/desenvolvimento: Izak Dahora
Fonte: site oficial Grande Rio
Foto: foto divulgação
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